A Menina Bia e o Segredo dos Cachinhos — História Infantil

Resumo da história: Bia quer desenhar seu próprio retrato para uma exposição na escola, mas descobre que não é fácil colocar seus cachinhos no papel. Com fotografias da avó, espirais coloridas e uma surpresa provocada pelo vento, a menina cria uma obra cheia de personalidade. Uma história infantil sobre identidade, família, criatividade e valorização dos cabelos crespos.

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A Menina Bia e o Segredo dos Cachinhos

Na casa de Bia, domingo tinha cheiro de pão quentinho e som de rádio na cozinha. Mas, naquele domingo, uma novidade esperava pela menina: a escola faria uma exposição de retratos chamada “Gente que Mora no Nosso Coração”.

— Vou desenhar a vovó Nair! — anunciou Bia, antes mesmo de terminar o café.

— E por que não você também? — perguntou a mãe.

Bia pensou. Correu até o espelho do corredor e ficou bem pertinho dele.

Seu rosto tinha duas covinhas. Seus olhos pareciam duas jabuticabas brilhantes. E, bem no alto da cabeça, morava uma floresta de cachinhos apertados, uns maiores, outros menores.

Bia puxou uma mecha com cuidado.

— Estica, estica, estica…

Soltou.

— Boing!

O cachinho voltou para o lugar.

— Mamãe! Meu cabelo faz brincadeira de mola!

A mãe riu.

— Faz voltinhas bonitas, isso sim.

Bia pegou lápis, papel e uma caixa inteira de giz de cera. Desenhou os olhos, o nariz, a boca, as covinhas… Mas, quando chegou aos cabelos, parou.

Fez uma linha redonda. Apagou. Desenhou três ondinhas. Apagou de novo.

— Nada parece com meus cachinhos!

Na segunda-feira, a professora Helena espalhou folhas grandes sobre as mesas.

— A exposição será na sexta. Cada criança pode desenhar alguém de quem gosta muito, inclusive a si mesma. Prestem atenção aos detalhes que tornam cada pessoa única.

Bia decidiu fazer um autorretrato. Desenhou as covinhas. Caprichou nos olhos. E, quando começou o cabelo, seu lápis correu de um lado para o outro.

Zigue-zague. Rabisco. Espiral.

— Parece um prato de macarrão! — ela murmurou.

Seu amigo Davi espiou a folha.

— Você desenhou o almoço?

Os dois caíram na gargalhada.

— É meu cabelo! — respondeu Bia. — Só que meus cachinhos são mais bonitos do que esses rabiscos.

— Então desenha um de cada vez — sugeriu Davi.

Bia tentou. Um cachinho ficou enorme. Outro, minúsculo. O terceiro parecia um caracol de férias.

A menina suspirou e guardou o desenho na mochila.

À tarde, a avó Nair chegou para visitá-la, trazendo uma sacola de tecido estampado e uma caixinha de fotografias.

— Soube que temos uma artista preocupada com seus cachinhos — disse a avó.

— Eles não cabem no meu desenho, vovó!

Nair sentou-se no tapete ao lado da neta.

— Posso mostrar uma coisa?

Abriu a caixinha. Havia uma fotografia de Nair menina, com duas tranças cheias de laços; outra com seu cabelo crespo bem curtinho; e uma terceira, já adulta, com os fios soltos formando uma nuvem macia.

Bia examinou tudo.

— Vovó, você teve três cabelos diferentes?

— Tive muitos penteados! Meu cabelo sempre foi meu, mesmo quando eu mudava de ideia sobre como usá-lo.

— E quem fazia suas tranças?

— Minha mãe, quando eu era pequena. A gente conversava, cantava e ria enquanto ela cuidava de mim.

Bia tocou de leve na fotografia.

— Eu gosto quando você conta essas coisas.

A avó tirou da sacola fitas, retalhos de papel colorido e um pequeno novelo de lã.

— Vamos brincar de fazer caminhos?

Sobre uma cartolina, Nair desenhou um rosto. Depois, enrolou uma tirinha de papel em volta de um lápis.

Quando soltou, a tirinha virou uma espiral.

— Ooooh! — fez Bia.

Ela experimentou também. Algumas espirais ficaram compridas; outras, pequeninas. Uma saltou da mesa e foi parar dentro do sapato de Davi, que tinha aparecido para brincar.

— Achei um caracol de papel! — ele anunciou.

Bia teve uma ideia tão boa que até suas covinhas pareceram sorrir.

— Já sei como fazer o cabelo do meu retrato!

Na quarta-feira, a mesa da sala virou uma oficina. A menina desenhou seu rosto e colou dezenas de espirais de papel preto e marrom na parte de cima. Entre elas, colocou dois pequenos laços amarelos, como os que gostava de usar.

Davi fez seu próprio retrato com fios de lã lisa. Sofia desenhou as tranças que sua irmã fazia. Cada um escolheu materiais e cores para representar a si mesmo.

Na sexta-feira, a escola estava enfeitada para a exposição. As famílias chegaram, e os trabalhos foram pendurados num varal de barbante que atravessava o pátio.

Bia procurou o seu desenho.

Lá estava ele, cheio de espirais que pareciam saltar da cartolina.

— Ficou igualzinho a você! — disse vovó Nair.

Bia estava prestes a responder quando uma rajada de vento passou pelo pátio.

Fuuuuuuuu!

Uma das pontas do varal se soltou. Algumas folhas rodopiaram como borboletas, e uma espiral do retrato de Bia saiu voando.

— Meu cachinho! — gritou ela.

O papel passou por cima de um banco, deu uma volta na lixeira e aterrissou bem no chapéu do porteiro.

Davi correu para segurar as folhas. Sofia chamou a professora. O porteiro tirou o chapéu e examinou a espiral presa na aba.

— Parece que meu chapéu ganhou um penteado novo!

As crianças riram, enquanto os adultos prendiam novamente o varal, dessa vez com nós reforçados.

Bia recuperou a espiral e a colou de volta no desenho. Olhou para a própria imagem e depois para o espelho pequeno que a professora havia colocado sobre uma mesa.

O retrato não era uma cópia perfeita. Nenhum papel conseguiria mostrar seus cachinhos mexendo quando ela pulava, ou a maneira como brilhavam ao sol.

Mas estava cheio de coisas que eram dela: as covinhas, os laços amarelos, o sorriso e aquelas voltinhas tão especiais.

— Vovó — perguntou Bia —, quando eu crescer, meus cachinhos vão continuar fazendo boing?

— Talvez mudem um pouquinho. Cabelo cresce, muda de comprimento e ganha novos penteados.

Bia pensou por um instante.

— Então vou precisar de muitos retratos!

Na saída, a professora pediu que cada criança escolhesse um nome para sua obra.

Davi escreveu “Meu Sorriso de Dente Mole”. Sofia escolheu “Tranças para um Dia de Festa”.

Bia segurou o giz amarelo e escreveu, com letras caprichadas:

“Bia e o Segredo dos Cachinhos”.

— E qual é o segredo? — perguntou a professora.

Bia sorriu, olhando para as espirais de papel.

— Que eles não precisam parecer com os de ninguém. E que desenhar cachinho dá um trabalhão!

Todo mundo riu.

Naquela noite, antes de dormir, Bia viu uma espiral esquecida no bolso do vestido. Colocou-a ao lado do espelho e deu uma última olhada nos cabelos.

Puxou um cachinho com cuidado.

— Estica, estica, estica…

Soltou.

— Boing!

E foi dormir com vontade de inventar mais um retrato no dia seguinte.

Perguntas sobre a história

  1. O que a escola de Bia estava preparando?
  2. Por que Bia ficou preocupada quando tentou desenhar seu cabelo?
  3. O que a vovó Nair mostrou dentro da caixinha?
  4. Que materiais Bia usou para representar seus cachinhos no retrato?
  5. O que aconteceu no pátio quando o vento soprou?
  6. Quem ajudou a recuperar e organizar os desenhos?
  7. Qual foi o nome escolhido por Bia para sua obra?

Para conversar: Que detalhe do seu rosto, cabelo ou sorriso você gostaria de mostrar em um autorretrato?

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Baixe o pdf completo da história Tum, Tum, Tum! O Tambor que Acordou a Vila

Dicas de contação de história para a Educação Infantil

  1. Comece com o “boing”. Antes de ler, faça com a voz o som de uma molinha voltando ao lugar. Convide as crianças a imaginar o que pode produzir esse som na história.
  2. Mostre o processo criativo. Tenha uma tirinha de papel e um lápis disponíveis para enrolar a tira e revelar uma espiral durante a narrativa.
  3. Diferencie as vozes. Use curiosidade e rapidez na fala de Bia, calma na voz da avó e humor nas intervenções de Davi e do porteiro.
  4. Explore a cena do vento. Faça uma pausa em “Fuuuuuuuu!” e convide a turma a soprar suavemente, sem espalhar objetos pela sala.
  5. Proponha autorretratos. Disponibilize lápis em variados tons de pele, lã, retalhos e papéis; deixe que cada criança escolha como representar suas características, sem exigir um padrão de aparência.
  6. Valorize histórias de família. Se for adequado, convide as crianças a conversar sobre penteados ou lembranças de cuidado com os cabelos, sempre respeitando diferentes configurações familiares.

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