O Tamborzinho de Kofi que Queria Cantar — História Infantil

Menino negro Kofi tocando tamborzinho com a família em um quintal ensolarado em Gana

Resumo da história: Kofi ganha um tamborzinho de aniversário e fica desapontado quando descobre que ele só parece dizer “tum”. Determinado a ensiná-lo a cantar, sai à procura de sons pela casa e pelo quintal. Uma aventura divertida, ambientada em Gana, sobre ritmo, escuta, família e a alegria de fazer música junto.

O Tamborzinho de Kofi que Queria Cantar

Na rua onde Kofi morava, em Acra, capital de Gana, havia uma casa amarela com uma janela azul. Pela manhã, o cheiro de pão saía da cozinha; à tarde, a sombra da mangueira cobria metade do quintal. E, quase todos os dias, uma música vinha da varanda do tio Kwame.

TUM… ta-tum… TUM!

Kofi conhecia aquele som desde pequenininho. Era o tambor do tio. Ele o tocava nas reuniões de família, sempre com muito cuidado, e ensinava que um ritmo só fica bonito quando a gente presta atenção nele.

Na semana em que completou seis anos, Kofi recebeu uma surpresa: um tamborzinho feito por um artesão da cidade, do tamanho certo para suas mãos.

— Agora você pode inventar seus próprios ritmos — disse o tio.

O menino abraçou o presente.

— Vou fazer a música mais bonita do mundo!

Sentou-se num banco, esticou os dedos e bateu.

TUM!

Esperou.

Bateu de novo.

TUM!

Franziu a testa.

— Tio, aconteceu uma coisa muito séria.

— O quê?

— Meu tambor só sabe falar “tum”.

Kwame segurou o riso.

— E você queria que ele dissesse o quê?

— Bom dia, Kofi! Que menino elegante! Quer uma banana?

O tio gargalhou tão alto que uma passarinha levantou voo do muro.

— Os tambores não falam com palavras, pequeno. Mas os sons podem mudar de intensidade, velocidade e ritmo. Escute antes de decidir que ele só conhece uma sílaba.

Kofi tentou dar duas batidas bem rápidas.

TUM-TUM!

Depois, uma longa pausa.

Tum…

Depois, três batidas desajeitadas.

TUM-TUM-TUM!

A irmã mais nova, Abena, apareceu na porta segurando uma colher.

— Parece que você está chamando uma panela!

Kofi fez uma careta. Abena caiu na risada.

Ele decidiu que precisava ensinar seu tambor a cantar. E, para isso, iria procurar sons pela casa inteira.

Primeiro, foi até a cozinha. A mãe estava lavando frutas.

Plim, plim, plim: pingava a água da torneira.

— Já sei! — disse Kofi. — A música da chuva pequenininha!

Experimentou bater bem fraquinho no tambor, deixando espaço entre os sons.

Tum… tum… tum…

— Essa música parece estar andando de pantufas — comentou Abena, que o seguira.

Depois, foram ao quintal. O vento fazia as folhas roçarem umas nas outras.

Fsssshh… fsssshh…

Kofi tentou imitar a brisa com as pontinhas dos dedos. Não ficou igual. Ficou diferente — e ele gostou mesmo assim.

Em seguida, ouviu o vendedor de frutas cumprimentar a vizinha do outro lado da rua. As palavras tinham um sobe e desce alegre, como se estivessem pulando corda.

— Será que o tambor consegue fazer uma pergunta? — pensou Kofi.

Tocou duas batidas, parou, tocou outra.

Tum-tum… tum?

Abena respondeu com a colher na borda de uma tigela vazia:

Tlim!

Os dois arregalaram os olhos.

— Ele perguntou e a tigela respondeu! — gritou a menina.

E começaram uma conversa de instrumentos tão animada que a mãe precisou aparecer à porta.

— Essa conversa pode acontecer um pouquinho mais baixo? — perguntou, sorrindo.

Kofi e Abena concordaram. Música boa também precisa respeitar os ouvidos de quem está por perto.

Ao cair da tarde, o menino levou seu tambor para a varanda. O tio Kwame estava preparando os instrumentos para o encontro de família do dia seguinte.

— Descobriu a voz dele? — perguntou.

Kofi suspirou.

— Descobri a chuva, o vento e até uma pergunta. Mas ainda não fiz uma música de verdade. Sempre me atrapalho.

O tio se sentou ao seu lado.

— Então vamos começar com uma coisa que você conhece bem. Como bate seu coração quando está feliz?

Kofi colocou a mão no peito.

— Tum-tum! Tum-tum!

— E quando você corre atrás da bola?

O menino correu três voltas ao redor do banco, voltou ofegante e riu.

— Aí ele bate apressado!

— Está vendo? O ritmo mora em muitos lugares. A gente aprende observando, praticando e escutando os outros.

Kwame mostrou uma sequência simples. Tocava devagar, esperava Kofi repetir e, se o menino se confundia, começavam outra vez.

No dia seguinte, chegaram os parentes para o almoço. Havia conversas na varanda, crianças correndo pelo quintal e panelas soltando cheiros deliciosos.

Abena decidiu anunciar a apresentação do irmão.

— Atenção, atenção! Hoje vocês vão ouvir o famoso tamborzinho que está aprendendo a cantar!

Kofi gelou.

— Abena! Não era para anunciar!

Mas já havia gente sorrindo, esperando. Kofi sentou-se diante do tambor. Suas mãos ficaram paradas. E se errasse? E se o instrumento voltasse a dizer apenas “tum”?

O tio percebeu a aflição e se aproximou.

— Você não precisa tocar sozinho. Podemos começar juntos.

Kwame iniciou um ritmo calmo.

Tum… ta-tum… tum.

Kofi repetiu.

Tum… ta-tum… tum.

Abena entrou com palmas suaves. A mãe começou a cantar uma pequena cantiga que a família costumava entoar nas reuniões. Kofi ouviu a voz dela, encontrou o momento certo e acrescentou duas batidas.

Tum-tum!

A avó balançou a cabeça acompanhando. Um primo inventou uma resposta cantada. Outra tia bateu palmas.

De repente, Kofi percebeu que não estava mais preocupado em acertar cada batida. Estava escutando todos — e todos o escutavam também.

Foi quando uma manga madura caiu da árvore.

PLOC!

Abena se assustou e soltou um “ai!” tão afinado que a família inteira começou a rir. Kofi não perdeu a oportunidade: repetiu no tambor o ritmo do susto.

Tum… PLOC! Tum-tum!

Agora todos riram ainda mais.

Quando a música terminou, o menino olhou para o tio com os olhos brilhando.

— Meu tambor cantou!

Kwame concordou.

— Cantou. Mas sabe quem também aprendeu uma coisa?

— Quem?

— Você. Aprendeu a escutar, a esperar e a deixar os outros entrarem na música.

Kofi pensou por um instante. Depois estendeu o tamborzinho à irmã.

— Quer experimentar?

Abena abriu um sorriso tão largo que quase não coube no rosto.

Tocou uma vez.

TUM!

Olhou para Kofi, muito séria.

— Tenho uma notícia terrível.

— O quê? — perguntou ele.

— O tambor está me pedindo uma banana!

Todos caíram na gargalhada.

E assim, naquela casa de janela azul, nasceu uma música nova. Ela começava com um tambor, ganhava palmas, encontrava vozes e sempre terminava com alguém rindo.

Quanto ao tamborzinho, continuou dizendo “tum”.

Mas Kofi nunca mais achou que isso fosse pouco.

Fim.

Perguntas sobre a história

  1. Em qual país Kofi morava?
  2. Qual presente ele ganhou quando fez seis anos?
  3. Por que Kofi achou que seu tambor tinha um problema?
  4. Quais sons Kofi procurou pela casa e pelo quintal?
  5. Quem ajudou Kofi a começar a música no encontro de família?
  6. O que aconteceu quando a manga caiu da árvore?
  7. O que Kofi aprendeu ao fazer música com outras pessoas?

Para imaginar: Se você pudesse criar um ritmo para o vento ou a chuva, como ele soaria?

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Dicas de contação de história para a Educação Infantil

  1. Convide a turma a ouvir. Antes da leitura, faça uma batida leve na mesa e pergunte o que as crianças imaginaram ao escutá-la.
  2. Repita os sons do texto. Use a voz e palmas suaves para diferenciar “tum”, “tum-tum” e “ploc”, dando tempo para a turma acompanhar.
  3. Destaque o humor. Faça uma voz séria e engraçada quando Abena disser que o tambor está pedindo uma banana.
  4. Proponha um jogo de pergunta e resposta. Faça duas palmas, espere que um pequeno grupo responda com uma palma e inverta os papéis.
  5. Apresente o contexto cultural. Mostre Gana no mapa e explique que esse país tem diferentes tradições musicais, assim como outros países africanos. Não trate a música imaginária do conto como um ritual ou ritmo tradicional específico.
  6. Encerre com uma roda musical. Convide as crianças a formar uma sequência simples com palmas e sons corporais, respeitando a vez de cada participante.

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