O Baobá que Guardava Mil Abraços — História Infantil

Menina negra Mariama com o avô e amigos abraçando um baobá enorme em uma comunidade no Senegal

Resumo da história: No Senegal, Mariama quer descobrir que segredo um baobá enorme guarda. Com a ajuda do avô Amadou e de seus amigos, a menina investiga sons, sombras e lembranças até perceber algo especial sobre a árvore. Uma aventura delicada e divertida sobre curiosidade, convivência e encontros.

O Baobá que Guardava Mil Abraços

Em uma pequena comunidade do Senegal, havia um baobá tão grande que ninguém conseguia abraçar seu tronco sozinho.

Mariama sabia disso porque já tinha tentado. Uma vez de braços abertos. Outra vez na ponta dos pés. E uma terceira, esticando até as bochechas.

— Não adianta fazer careta — disse seu avô, Amadou, que observava tudo debaixo da árvore.

— Eu não estava fazendo careta, vovô. Estava aumentando meus braços!

O avô riu tanto que quase derrubou o chapéu.

Mariama tinha seis anos, sandálias vermelhas e uma bolsa amarela onde guardava coisas importantes: três pedrinhas lisas, uma fita azul e um botão que encontrara no caminho da escola.

Todas as tardes, depois da aula, sentava-se ao lado do avô à sombra do baobá. Ali ele lhe contava histórias de quando era menino, e Mariama fazia perguntas que pareciam não acabar nunca.

— Vovô, por que o baobá é tão largo?

— Porque cresceu durante muitos e muitos anos.

— E por que seus galhos parecem braços?

— Talvez goste de cumprimentar as nuvens.

Mariama ergueu o rosto. Os galhos se espalhavam contra o céu como caminhos desenhados.

— Então hoje vou descobrir o que ele está tentando nos contar!

O avô inclinou a cabeça.

— E como vai fazer isso?

— Vou investigar. Toda árvore muito antiga deve guardar um segredo.

Mariama abriu a bolsa, tirou sua fita azul e a amarrou no pulso. Era assim que os grandes investigadores trabalhavam. Pelo menos, os investigadores das histórias que ela inventava.

Primeiro, aproximou a orelha do tronco.

Nada.

Apenas um barulhinho distante: cri-cri-cri.

— O baobá está cochichando! — anunciou.

— Acho que é um grilo — respondeu Amadou.

Ela deu a volta na árvore e encontrou seu amigo Ibrahima empurrando uma roda de brinquedo.

— Estou procurando o segredo do baobá. Quer ajudar?

— Depende. O segredo é de comer?

— Não sei!

— Então vou ajudar. Se for de comer, preciso estar presente.

Os dois começaram a busca. Examinaram as raízes que apareciam perto da terra, contaram folhas caídas e olharam para um passarinho pousado num galho.

— Talvez o segredo esteja lá em cima — sugeriu Ibrahima.

Mariama olhou para o tronco enorme.

— Não podemos subir. Vamos perguntar a quem conhece a árvore.

Perto dali, a senhora Fatou organizava pequenas cestas que faria para vender no mercado.

— Dona Fatou, o baobá tem um segredo?

Ela pensou um pouco.

— Esse baobá é um ótimo lugar para descansar quando o sol esquenta. Minha mãe costumava sentar-se aqui para conversar com as vizinhas.

— Então o segredo é sombra? — perguntou Mariama.

— Pode ser um pedacinho dele — respondeu Fatou, sorrindo.

As crianças anotaram a descoberta num papel. Na verdade, como não tinham lápis, Mariama desenhou um círculo no chão com um graveto.

Depois encontraram Moussa, que levava um pote de água para casa.

— E você? O que sabe sobre o baobá?

— Sei que, depois de uma caminhada, é bom parar aqui e beber água com calma — disse ele.

— Ahá! — exclamou Ibrahima. — Mais um segredo: descansar!

Mariama cruzou os braços.

— Mas são segredos pequenos. Eu estou procurando um segredo enorme, do tamanho do tronco!

Nesse momento, o vento apareceu de repente.

Fuuuuush!

Levantou poeira, fez as folhas dançarem e carregou o papel que Ibrahima acabara de encontrar.

— Pega! — gritou Mariama.

O papel passou por seus dedos, rodopiou diante do nariz de um bode e foi parar junto às sandálias do avô.

Amadou apanhou o papel antes que ele voasse novamente.

— Parece que o vento também quer participar da investigação.

Mariama suspirou.

— Já perguntei a todo mundo e ainda não descobri nada. Talvez o baobá não tenha segredo nenhum.

O avô fez espaço no banco.

— Sente um pouquinho. Os segredos mais interessantes nem sempre aparecem para quem corre atrás deles.

Enquanto descansavam, uma menina pequena chegou chorando baixinho. Tinha perdido a mãe de vista perto das barracas.

Fatou se aproximou, falou com ela com calma e pediu a um vizinho que avisasse as pessoas do mercado. Pouco depois, a mãe da menina veio buscá-la e a apertou num abraço demorado.

Mariama observou tudo.

Logo chegaram duas crianças com uma bola feita de tiras de tecido. Elas convidaram Ibrahima para brincar num espaço livre, longe das raízes da árvore.

Uma senhora cumprimentou Amadou e sentou-se para conversar. Moussa voltou com água para o avô. Fatou chamou Mariama para ver uma cestinha que acabara de terminar.

A sombra do baobá, antes tão quieta, estava cheia de vozes diferentes.

Mariama olhou para todos os lados.

— Vovô! Acho que o segredo está aparecendo!

— Está? Onde?

— Aqui! A árvore faz as pessoas se encontrarem!

Amadou sorriu.

— Você percebeu uma coisa bonita. Em algumas comunidades, árvores grandes como esta se tornam lugares de descanso, conversa e encontro. E cada comunidade tem seus próprios costumes.

Mariama levou as mãos à cintura.

— Então quero agradecer ao baobá com um abraço bem grande!

Abriu os braços diante do tronco.

Esticou para a esquerda.

Esticou para a direita.

Nem chegou perto de completar a volta.

— Ibrahima, venha ajudar!

O amigo encostou uma das mãos na casca.

— Ainda falta muito!

Fatou veio também. Depois Moussa. E mais duas crianças, acompanhadas de seus responsáveis.

Todos ficaram lado a lado ao redor da árvore, deixando espaço para não apertar ninguém nem pisar nas raízes.

— Um, dois, três… abraço! — contou Mariama.

A corrente de braços quase fechou um círculo, mas restou uma abertura enorme.

Ibrahima deu uma gargalhada.

— O baobá ganhou um abraço com porta!

Mariama riu junto.

— É para todo mundo poder entrar!

Amadou ergueu o chapéu e disse:

— Acho que agora você descobriu um segredo do tamanho do tronco.

Quando o sol começou a baixar, Mariama recolheu suas pedrinhas e guardou a fita azul na bolsa. Antes de ir embora, encostou a mão no baobá.

— Até amanhã, árvore dos encontros.

Na manhã seguinte, apareceu com um desenho. Nele havia uma árvore imensa, muitas pessoas de mãos dadas e uma abertura no círculo.

A professora perguntou:

— Por que você deixou esse espaço vazio?

Mariama respondeu sem hesitar:

— Porque ainda cabe mais alguém na história.

E, naquele dia, todos quiseram ouvir a história do baobá que guardava mil abraços.

Fim.

Perguntas sobre a história

Depois da leitura, convide a turma a recordar a aventura de Mariama e conversar sobre o que percebeu.

  1. Em qual país Mariama morava?
  2. Qual era o nome da árvore enorme que ela queria investigar?
  3. Quem costumava contar histórias para Mariama debaixo do baobá?
  4. Por que Ibrahima quis participar da investigação?
  5. O que as pessoas faziam perto da árvore ao longo do dia?
  6. Por que todos não conseguiram completar a volta no tronco com os braços?
  7. O que Mariama descobriu sobre o baobá no final da história?

Para imaginar: Que histórias e brincadeiras você gostaria de compartilhar com os amigos à sombra de uma árvore grande?

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Dicas de contação de história para a Educação Infantil

  1. Mostre o baobá. Apresente uma fotografia real dessa árvore e convide as crianças a observar o tronco largo e os galhos.
  2. Explore a investigação. Faça uma pausa após cada pergunta de Mariama e deixe a turma sugerir qual pode ser o segredo.
  3. Brinque com o vento. Na passagem “Fuuuuush!”, movimente um lenço no ar, sem assustar as crianças.
  4. Dê personalidade às falas. Use uma voz curiosa para Mariama, divertida para Ibrahima e tranquila para o avô Amadou.
  5. Experimente um abraço coletivo simbólico. Com consentimento e respeitando quem prefere não dar as mãos, organize uma roda ao redor de um desenho de árvore no chão.
  6. Contextualize a história. Mostre o Senegal no mapa da África e explique que o baobá aparece em paisagens e histórias de diferentes regiões, sem generalizar os costumes africanos.

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