A Dança de Ayana e os Passinhos da Alegria — História Infantil

Menina negra Ayana dançando com colegas em uma apresentação escolar colorida

Resumo da história: Ayana adora dançar e fica encantada quando sua turma decide preparar uma apresentação. Mas os amigos têm ideias diferentes, e um vento atrapalhado ainda ameaça o ensaio! Entre risadas, palmas e descobertas, a menina aprende que uma dança pode ficar muito mais bonita quando cada criança participa do seu jeito.

A Dança de Ayana e os Passinhos da Alegria

Na casa de Ayana, até o silêncio parecia ter vontade de dançar.

Quando o vento entrava pela janela, a cortina balançava para um lado e para o outro. Quando a chuva chegava, as gotas batiam no telhado como pequenas mãos. E, quando a panela de pipoca começava a estourar, Ayana já estava na cozinha, mexendo os ombros.

— Essa menina tem música nos pés! — dizia o pai.

— E nos cotovelos também! — respondia Ayana, fazendo uma careta engraçada.

Na segunda-feira, a professora Celina anunciou uma novidade:

— Na sexta-feira, teremos a Festa das Histórias e dos Ritmos. Cada turma vai preparar uma apresentação. Nossa sala vai criar uma dança!

Ayana quase saiu da cadeira.

— Eu posso inventar os passos?

— Pode ajudar — disse a professora. — Mas a dança será de todos. Precisamos ouvir as ideias da turma.

Naquele mesmo dia, Celina mostrou às crianças fotografias de instrumentos e um pequeno vídeo educativo sobre uma apresentação tradicional de dança em Gana, país da África Ocidental. Contou que o continente africano reúne muitos países e culturas, e que aquela dança pertencia a uma tradição específica, não representava todas as danças da África.

Ayana gostou da força dos tambores, dos movimentos em grupo e da atenção entre os dançarinos.

— Parece que os passos estão conversando! — comentou.

— É uma bela observação — respondeu Celina. — Agora vamos criar uma dança nossa, sem copiar uma tradição que ainda estamos aprendendo a conhecer.

No recreio, Ayana reuniu os amigos.

— Tenho um plano! Primeiro, fazemos dois passos para a direita, depois um giro e, no final, pulamos como pipoca!

Ela demonstrou.

Um, dois… giro… PLOF!

Foi parar sentada no tapete de borracha do pátio.

O amigo Davi levou as mãos à boca.

— Você se machucou?

Ayana levantou o polegar.

— Não! Acabei de inventar o passo da pipoca que caiu da panela!

A turma caiu na gargalhada.

Mas, quando começaram a ensaiar, surgiu um problema. Davi não gostava de girar. Lili preferia fazer movimentos com os braços. E Bento, que era tímido, não queria dançar na frente de ninguém.

— Se cada um fizer uma coisa, a dança vai virar uma bagunça! — reclamou Ayana.

Bento olhou para os próprios sapatos.

— Acho melhor eu não participar.

Ayana sentiu um aperto no peito. Não era isso que queria. Ela gostava tanto de dançar que havia esquecido de perguntar do que os outros gostavam.

Naquela tarde, em casa, encontrou a avó Rosa regando as flores da varanda.

— Vovó, como a gente faz todo mundo dançar do mesmo jeito?

A avó pousou o regador.

— Por que todo mundo precisa dançar do mesmo jeito?

Ayana ficou sem resposta.

Rosa pegou duas colheres de madeira e bateu um ritmo suave na borda de uma caixa vazia: toc, toc… toc-toc!

— Escute. Eu faço o ritmo. Você inventa um movimento.

Ayana balançou os braços como asas.

— Agora eu mudo o ritmo, e você escolhe outro movimento — disse Rosa.

Toc-toc-toc! Toc!

Ayana marchou como uma formiguinha apressada.

— E se alguém não quiser girar? — perguntou a avó.

— Pode bater palmas!

— E se preferir ficar no mesmo lugar?

— Pode mexer só os braços!

A avó sorriu.

— Uma apresentação pode ter partes diferentes, Ayana. O importante é combinar, escutar e deixar espaço para todos.

Na manhã seguinte, Ayana chegou à escola com um caderno cheio de desenhos. Em uma página, havia mãos. Em outra, pés. Na última, uma estrela com cinco pontas.

— Ontem eu mandei em tudo — disse aos colegas. — Desculpem. Podemos inventar juntos?

Lili escolheu o movimento das mãos que desenhavam ondas no ar. Davi sugeriu passos de lado, sem giros. Bento preferiu começar batendo palmas ao lado do grupo.

— E eu faço o passo da pipoca! — anunciou Ayana.

— Sem cair, por favor — pediu Davi.

— Não prometo! — respondeu ela, rindo.

Nos ensaios seguintes, a turma aprendeu a entrar no ritmo, parar ao ouvir um sinal e prestar atenção nos colegas. A professora usou palmas, chocalhos e gravações de diferentes instrumentos de percussão, explicando seus nomes quando os apresentava.

Na quinta-feira, quando tudo parecia pronto, veio o desastre.

Um vento forte atravessou a sala pela janela aberta e espalhou os cartões com os desenhos dos movimentos.

O cartão das ondas voou para debaixo da mesa. O dos passinhos foi parar perto da porta. E a estrela de cinco pontas ficou presa na mochila da professora.

— Perdemos a dança! — gritou Davi.

Bento, que quase nunca falava alto, ergueu a mão.

— Não perdemos, não. Eu lembro da ordem.

Todos olharam para ele.

— Primeiro as palmas, depois as ondas de Lili, os passos de Davi e a pipoca de Ayana. No final, a gente forma uma roda.

Ele demonstrou, falando baixinho no começo e cada vez mais confiante.

Ayana abriu um sorriso enorme.

— Bento, você é a memória dos nossos passos!

Bento sorriu também.

— Posso ficar na frente só na parte das palmas?

— Claro! — respondeu a turma quase ao mesmo tempo.

Na sexta-feira, o salão da escola estava cheio de famílias. Havia apresentações de histórias, cantigas e brincadeiras. A professora Celina explicou ao público que a turma conhecera exemplos de expressões culturais de Gana e que criara sua própria dança coletiva a partir de experiências de ritmo e movimento.

Quando a música começou, Bento entrou primeiro. Bateu palmas no compasso e olhou para os amigos.

Lili desenhou ondas no ar. Davi deu dois passos para um lado e dois para o outro. Ayana veio saltitando, mas, bem na hora do passo da pipoca, uma de suas sapatilhas fez um barulhinho engraçado no chão.

PLOC!

A menina arregalou os olhos. Davi segurou o riso. Na primeira fila, a avó Rosa começou a bater palmas no ritmo.

Ayana se lembrou do que havia aprendido.

Não precisava fazer tudo perfeitamente. Precisava continuar junto com os amigos.

Então improvisou um pulinho pequenino.

PLOC!

Bento acompanhou com as palmas. Lili fez uma onda maior. Davi inventou um passo divertido.

E a dança seguiu, alegre e diferente de tudo o que tinham ensaiado.

No final, formaram uma roda, levantaram os braços e ficaram imóveis por um segundo.

Silêncio.

Depois, o salão se encheu de aplausos.

Na saída, a professora perguntou:

— Ayana, qual foi a melhor parte da apresentação?

A menina pensou. Poderia falar do figurino, das palmas ou do passo da pipoca.

Mas respondeu:

— Foi descobrir que cada amigo tinha um passo que faltava na nossa dança.

A avó Rosa piscou para ela.

E, naquele instante, um vento leve passou pela porta do salão. A barra do vestido de Ayana balançou de um lado para o outro.

A menina olhou para o tecido e cochichou:

— Vovó, acho que até o vento quer participar da próxima festa!

— Então vai precisar ensaiar com a turma — respondeu Rosa.

As duas caíram na gargalhada.

Fim.

Perguntas sobre a história

Depois da leitura, converse com as crianças e acolha as respostas de cada uma.

  1. O que a professora Celina anunciou para a turma?
  2. Por que Ayana ficou tão animada com a apresentação?
  3. Qual movimento Davi não gostava de fazer?
  4. Como a avó Rosa ajudou Ayana a pensar na dança?
  5. O que aconteceu com os cartões dos movimentos?
  6. Quem lembrou a ordem dos passos quando os cartões voaram?
  7. O que Ayana descobriu sobre dançar com os amigos?

Para imaginar: Se você pudesse inventar um passo novo para a dança de Ayana, como ele seria?

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Dicas de contação de história para a Educação Infantil

  1. Brinque com os sons. Antes da leitura, convide a turma a ouvir palmas ritmadas e repetir uma sequência curta.
  2. Dê vida às falas. Use uma voz agitada para Ayana, tranquila para a avó Rosa e hesitante para Bento no começo.
  3. Marque o suspense. Faça uma pausa quando os cartões saírem voando e pergunte como as crianças poderiam lembrar dos movimentos.
  4. Inclua diferentes possibilidades. Convide as crianças a participar com gestos, palmas ou movimentos sentados, respeitando suas possibilidades e preferências.
  5. Apresente a diversidade cultural. Explique que Gana é um país da África e que existem muitas danças e tradições distintas no continente; evite tratar uma dança como representação de toda a África.
  6. Crie uma dança coletiva. Cada criança escolhe um gesto simples, e a turma organiza os movimentos numa sequência, valorizando a colaboração.

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