A menina que esperava o pai voltar para dar boa-noite

Era uma vez uma menina chamada Clara, que sempre esperava ansiosamente pelo pai voltar do trabalho para lhe dar boa-noite.

A menina que esperava o pai voltar para dar boa-noite

Clara adorava o final do dia. Quando o sol começava a se pôr, ela se sentava na varanda, balançando as pernas para frente e para trás. O céu pintava-se de tons alaranjados e rosados, e ela sabia que em breve seu pai estaria em casa.

— Mamãe, você acha que ele vai demorar hoje? — perguntou Clara, olhando para a porta da entrada.

A mãe, que estava preparando o jantar, sorriu e respondeu:

— Ele sempre chega a tempo, meu amor. Só precisa acabar algumas coisas no trabalho.

Clara suspirou, um misto de ansiedade e expectativa. Ela adorava as histórias que seu pai contava antes de dormir. Seu pai tinha uma voz tão suave que fazia cada aventura parecer real. Às vezes, as histórias eram sobre príncipes e princesas, e outras vezes sobre barcos e mares. O que mais gostava, no entanto, era quando ele contava sobre sua infância, como se tivesse vivido mil aventuras.

O relógio parecia andar devagar naquela noite. Clara levantou-se e olhou pela janela, tentando avistar o carro do pai. Ela imaginava como ele estaria. Será que ele estava tão cansado quanto no dia anterior? Ou talvez estivesse animado por algo novo que tinha acontecido no trabalho?

— O que você está pensando, minha querida? — perguntou a mãe, interrompendo seus devaneios.

— Estou pensando no que meu pai vai contar hoje — respondeu Clara, com um brilho nos olhos. — Você acha que ele vai me contar sobre o dia em que ele subiu na árvore mais alta?

A mãe riu, lembrando-se daquela história.

— Ele sempre fala dessa árvore! Apenas tenha paciência, ele vai chegar.

Clara sentou-se novamente, balançando as pernas, e começou a desenhar no chão com um graveto. O céu escurecia, e as estrelas começaram a aparecer uma a uma. O coração dela batia acelerado, e a expectativa crescia a cada instante.

Finalmente, após o que pareceu uma eternidade, ouviu o barulho familiar do carro estacionando. Ela pulou de alegria, correndo para a porta.

— Papai! — gritou, abrindo a porta.

O pai entrou, com um sorriso que iluminava o ambiente.

— Oi, minha pequena! — disse ele, agachando-se para dar um abraço apertado.

Clara sentiu o calor do abraço e a saudade que se desfazia ali.

— Estava tão ansiosa! Você trouxe uma história?

— Claro! Mas antes, vamos jantar. Estou com fome! — respondeu o pai, rindo.

Depois de um jantar saboroso, Clara puxou seu pai para o sofá.

— Agora, a história! Por favor!

Ele se acomodou e começou a contar, sua voz suave enchendo a sala.

— Era uma vez, quando eu era menino, e subi na árvore mais alta do bairro…

Clara ouvia atenta, viajando nas palavras do pai. Os olhos brilhavam enquanto ele narrava as aventuras de sua infância, como ele se sentia valente por escalar aquele tronco robusto e como seus amigos o incentivavam.

— E quando cheguei lá em cima, consegui ver todo o bairro! — continuou o pai, gesticulando animadamente. — Parecia que eu estava no topo do mundo!

Clara riu, imaginando a cena.

— E você não teve medo? — perguntou, com o queixo apoiado nas mãos.

— Um pouquinho, mas a coragem é como um músculo. Quanto mais você usa, mais forte fica. E eu tinha meus amigos ao meu lado!

A cada palavra, Clara se sentia mais próxima do pai. As histórias criavam um laço entre eles, uma conexão que ia além das palavras. O tempo parecia parar enquanto ele falava, e o mundo exterior desaparecia.

— E então? O que você fez depois? — perguntou Clara, ansiosa.

— Depois, eu desci! Foi uma aventura e tanto! Mas o melhor de tudo era voltar para casa e contar tudo para a sua avó. Ela sempre ria e dizia que eu era um menino corajoso — respondeu o pai, com um sorriso nostálgico.

Clara pensou em como gostaria de ser tão corajosa quanto seu pai.

— Papai, você me ensina a ser corajosa também? — questionou, com uma vozinha esperançosa.

— Claro, minha querida. Coragem é acreditar em si mesma e enfrentar seus medos, mesmo que pareçam grandes como uma montanha — disse o pai, acariciando o cabelo dela.

Os olhos de Clara brilhavam. Ela queria ser corajosa e ter muitas aventuras para contar um dia.

— E a estrela? — perguntou ela, olhando pela janela, onde uma estrela brilhava intensamente. — Ela também é corajosa?

— Sim, porque ela brilha mesmo nas noites mais escuras. Lembre-se: você pode ser como essa estrela — respondeu o pai, com ternura.

Clara sorriu, sentindo-se aquecida por dentro.

— Boa-noite, papai! — disse, abraçando-o novamente.

— Boa-noite, minha pequena estrela — respondeu ele, apagando a luz.

E assim, Clara adormeceu, sonhando com árvores altas, estrelas brilhantes e a coragem que estava começando a descobrir dentro de si.

Perguntas sobre a história

  1. O que Clara mais gostava de fazer quando esperava seu pai voltar do trabalho?
  2. Como era a relação de Clara com seu pai?
  3. Que tipo de histórias o pai contava para Clara?
  4. O que a mãe fazia enquanto Clara esperava?
  5. Qual foi a reação de Clara ao ver seu pai chegar?
  6. O que o pai ensinou a Clara sobre coragem?
  7. Como Clara se sentiu ao final da história?

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