O silêncio estranho no quarto de Miguel

Às vezes, o silêncio pode ser mais inquietante do que um barulho. Miguel estava prestes a descobrir isso em uma noite especial.

O silêncio estranho no quarto de Miguel

Miguel tinha apenas oito anos, mas já sabia que a escuridão da noite tinha seus próprios segredos. Naquela noite, quando a luz da lua filtrava pelas cortinas do seu quarto, ele sentiu algo diferente. O silêncio que costumava ser reconfortante parecia pesado, quase palpável.

— Mãe, você está lá? — ele chamou, a voz tremendo um pouco.

Do outro lado da porta, sua mãe respondeu com um tom suave. — Estou aqui, querido. Tudo está bem.

Mas Miguel não estava convencido. Algo no ar parecia mudar. Ele se levantou da cama e se aproximou da janela. A rua estava deserta, e as árvores dançavam levemente com o vento, mas havia um silêncio que lhe deixava nervoso.

— O que é isso? — sussurrou para si mesmo. Ele quis chamar seu melhor amigo, Pedro, mas sabia que estava muito tarde.

Sentou-se em sua cama e imaginou histórias que poderia contar. Histórias de heróis e monstros, de aventuras e mistérios. Mas, mesmo essas histórias pareciam distantes naquela noite.

De repente, um barulho quebrou o silêncio. Miguel saltou para trás. Era um leve estalo, como se algo tivesse sido pressionado. Ele olhou para a porta, então para o armário. O coração batia rápido em seu peito.

— Eu sou muito velho para ter medo do escuro! — ele se lembrou de ter ouvido sua irmã dizer. Mas, naquela hora, isso não ajudou muito.

— Vou investigar! — decidiu, com um impulso de coragem. Puxou a coberta para cima e se arrastou até a porta. Com um movimento hesitante, ele girou a maçaneta e abriu a porta.

Corajoso ou não, ele sabia que precisava saber o que estava acontecendo. Ao se esgueirar pelo corredor, ouviu um novo estalo, agora vindo do andar de baixo.

— Mãe! — chamou outra vez, mas sua voz soou mais baixa, como se o ar estivesse espesso. Ele desceu um degrau e depois outro, até chegar na sala. As luzes estavam apagadas.

Um frio percorreu sua espinha. Miguel respirou fundo e decidiu que não podia voltar agora. Ele se aproximou da janela da sala e olhou para fora, pensando que talvez o que o assustava estivesse lá fora. Mas a luz da lua parecia brincar com as sombras, e ele não viu nada.

De repente, ouviu uma voz. — Miguel? — era seu pai, vindo da cozinha. — O que você está fazendo acordado?

— Eu… eu ouvi um barulho! — respondeu Miguel, aliviado ao ouvir a voz familiar.

— Ah, deve ser apenas a casa — disse seu pai, com um sorriso tranquilizador. — Essas velhas paredes costumam rangir à noite. Vem, vamos lá ver o que foi.

Miguel o seguiu até a cozinha, onde o cheiro do pão que sua mãe havia deixado esfriar ainda pairava no ar. Era um lugar acolhedor, e a luz da geladeira iluminava o rosto de seu pai.

— Às vezes, o silêncio nos prega peças — continuou seu pai, enquanto abria a porta da geladeira. — Mas não tenha medo, estou aqui com você.

Eles começaram a explorar a casa juntos, e Miguel, com cada passo, começou a sentir o medo se dissipar. Juntos, olharam no armário, sob a mesa e atrás das cortinas. Só encontraram a sombra do próprio medo, que agora parecia menor e mais frágil.

— Viu? Não havia nada para se preocupar — disse seu pai, rindo levemente.

— É verdade! — respondeu Miguel, rindo também, mas ainda um pouco nervoso.

Voltaram para o quarto, e Miguel se sentou na cama, agora mais tranquilo. — O silêncio pode ser assustador às vezes — disse ele. — Mas sempre podemos descobrir o que está por trás dele.

— Isso mesmo — disse seu pai, dando-lhe um leve tapinha nas costas. — E se você sentir medo novamente, lembre-se que sempre pode me chamar.

Com um sorriso no rosto, Miguel se deitou de novo. O silêncio já não parecia tão estranho. Ele estava aprendendo que, mesmo nos momentos mais silenciosos, sempre havia algo ou alguém para confortá-lo. E assim, com um coração mais leve, ele fechou os olhos e se deixou levar pelo sono, ouvindo o suave e familiar som da casa ao seu redor.

Perguntas sobre a história

  1. Por que Miguel se sentiu assustado naquela noite?
  2. O que ele decidiu fazer quando ouviu o barulho?
  3. Como a presença de seu pai ajudou Miguel a enfrentar seus medos?
  4. O que Miguel aprendeu sobre o silêncio?
  5. Você já teve medo de algo que depois descobriu que não era tão assustador?
  6. Como você se sente quando está em silêncio?
  7. O que você faria se estivesse no lugar de Miguel?

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